Perfis de contaminação e inactivação microbiana em azulejos

  • T. Silva
  • S. Cabo Verde
  • G. Cardoso
  • A. C. Fernandes
  • M. J. Trindade
  • C. I. Burbidge
  • M. I. Dias
  • M. L. Botelho
  • M. I. Prudêncio
Palavras-chave: Inactivação microbiana, radiação gama, azulejos

Resumo

Um dos maiores desafios na conservação de objectos de arte é a prevenção e o controlo da contaminação por organismos.

O objectivo do presente estudo foi a avaliação de metodologias de quantificação e caracterização da microbiota presente em azulejos, com o intuito de estimar a dose mínima de radiação gama (Cobalto-60) necessária para inactivar a população microbiana das amostras. Foram seleccionados dois painéis de azulejos como objectos de estudo devido aos sinais evidentes de biodeterioração: o “Grande Panorama de Lisboa” (23 m comprimento), do início do século XVIII, a peça mais notável do Museu Nacional do Azulejo e classificada como Tesouro Nacional; e o painel “Quinta de Santo António” (século XVIII).

A recolha, isolamento e quantificação da carga microbiana presente nas amostras de azulejos foram efectuadas pelos métodos de zaragatoa e contagem de unidades formadoras de colónias (UFC). Os isolados foram caracterizados fenotipicamente por técnicas convencionais de microbiologia de modo a estabelecer padrões de contaminação. As amostras de azulejos do painel “Quinta de Santo António” foram expostos a doses sub-letais (1 a 4 kGy) de radiação gama tendo-se caracterizado quantitativamente e qualitativamente a população microbiana sobrevivente.

Nos painéis analisados, a carga microbiana estimada variou entre 102-103 UFC/100 cm2 de azulejo, sendo maioritariamente constituída por bacilos Gram positivos (> 56%). A irradiação de amostras do painel “Quinta de Santo António” indicou um decréscimo do número de microrganismos de aproximadamente 25% para 4 kGy, contudo a microbiota não apresentou uma cinética de inactivação exponencial. Os resultados obtidos sugerem a potencialidade de aplicação da radiação gama na descontaminação de azulejos como tratamento de conservação.

Publicado
2012-10-31
Como Citar
Silva, T., Cabo Verde, S., Cardoso, G., Fernandes, A. C., Trindade, M. J., Burbidge, C. I., Dias, M. I., Botelho, M. L., & Prudêncio, M. I. (2012). Perfis de contaminação e inactivação microbiana em azulejos. Estudos Arqueológicos De Oeiras, 19, 253-260. Obtido de https://eao.cm-oeiras.pt/index.php/DOC/article/view/230